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Sexta-feira, 8 de janeiro de 2016 às 20:04 em Música
Sons que curam: Quando a música vira remédio

Existirá melhor tratamento do que aquele que realmente funciona, só apresenta efeitos colaterais positivos e, além disso, pode representar um puro deleite? Esse é o "milagre da música", quando aplicada com a intenção de cura.

 

Por: Steve Toll e Linda Bareham (*)

Está demonstrado que a música é capaz de ajudar a reorganizar o cérebro: um atributo vital para os que sofrem do mal de Alzheimer. Para pacientes de Alzheimer e de outras moléstias do gênero, após vinte minutos de música, como regra, já podem ser observadas respostas positivas como o canto, o acompanhamento rítmico com os pés, os aplausos com as mãos. Estudos mais recentes mostram que os resultados de uma sessão de musicoterapia perduram por muitas horas. Os resultados positivos incluem elevação do estado de espírito, incremento da sociabilidade e do apetite, e redução da agitação. Tais benefícios são atribuídos à estimulação que o cérebro recebe durante a sessão de musicoterapia. Foi esse "treinamento cognitivo" que nos inspirou, como musicoterapeutas, a cunhar a frase "O que o exercício físico representa para o corpo, a música representa para o cérebro". O poder da música com frequência também inspira movimentos do corpo e pode ser usado para encorajar a prática de exercícios físicos moderados.

À medida que a fala, a escrita e as formas tradicionais de comunicação tornam-se comprometidas, a música fornece um meio alternativo de manutenção da conexão com o mundo e com os outros, auxiliando de modo efetivo a interação entre o paciente e o profissional da saúde que cuida dele. Usada como terapia, a música cria um ambiente no qual o paciente pode ser alimentado e cuidado de modo seguro, suave e apropriado. A música pode ser fundamental para a manutenção dos laços humanos quando aqueles que padecem de demência perderam a capacidade de iniciar a comunicação ou de responder verbalmente aos estímulos.

Os poderes da música, quando focalizados e usados terapeuticamente, são muitos. Para a manutenção da qualidade de vida dos que sofrem de Alzheimer é crítico o controle das emoções e a preservação da conexão com os outros. A música propicia fortemente a manutenção dessas conexões, pelo tempo o mais longo possível, e ao mesmo tempo auxilia o paciente a manter o seu foco mental, incrementado nele o estado de consciência desperta e o sentido de orientação no meio ambiente circundante. Algumas pesquisas indicam que a musicoterapia é um importante coadjuvante dos tratamentos médicos convencionais para a demência, e sugerem uma possível ligação entre o uso da música e a diminuição do ritmo de progressão dessa doença.

A partir dos ritmos das batidas do coração, vivenciados no ventre materno, até os agitados sons de uma banda militar, somos sempre cercados por padrões rítmicos. A própria linguagem falada possui uma qualidade musical que experimentamos desde os primórdios da humanidade. Tais qualidades são exprimidas em termos de cantos e de percussões rítmicas, e isso traz a música ainda mais perto da fala. A música é fenômeno primordial para a vida. Cada um de nós a exprime no dia-a-dia, seja através de movimentos de dança ao som de um ritmo preferido, seja marcando o compasso com o lápis que bate sobre a mesa, seja relembrando alguma memória especial despertada pelo som de uma velha melodia. A música é central em nossas vidas. Ela está profundamente embutida em nossa cultura, associada à maior parte dos eventos fundamentais da nossa existência, acoplada aos nossos ritos de passagem e comemorações festivas, da mesma forma que ela nos proporciona conforto, prazer, inspiração e estímulo para a transformação. A música nos conecta com o mundo e funciona como uma trilha que nos conduz à memória do nosso passado.

 

Você não necessita de formação e treinamento musical específico para criar e viver um programa terapêutico baseado na música. Tudo que você precisa fazer é selecionar um repertório de músicas apropriadas, clássicas ou populares. Esse repertório pode consistir de sucessos bem conhecidos das décadas de 30, 40 ou 50 e de músicas ainda mais contemporâneas, dependendo das preferências e da idade do participante. Lembre-se: antes de investir na compra de CDs e DVs caros, você pode baixar uma infinidade de músicas diretamente da Internet. Leve em consideração as preferências pessoais das pessoas envolvidas, e selecione de preferência músicas mais alegres, "alto astral", e mais fáceis de cantar.

(*)Steve Toll, terapeuta e músico profissional, e sua esposa Linda Bareham, escritora e pesquisadora no campo das terapias alternativas para idosos com demência senil, formam nos Estados Unidos a empresa Prescription-Music. Steve Toll integra a equipe de palestrantes da National Alzheimer's Association e treina cuidadores profissionais e familiares no desenvolvimento de programas de musicoterapia. Seu maior interesse é propagar os poderes curativos da música para as pessoas doentes do mal de Alzheimer.

 

do site - http://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/100942/Sons-que-curam-Quando-a-m%C3%BAsica-vira-rem%C3%A9dio.htm

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